7.4.11

dou por mim a sentir o cheiro da perda entranhado em mim.

o cheiro que entre nas narinas e se entranha no nosso cérebro como se nós tivéssemos que o carregar. entra nas nossas narinas e não é fácil de o tirar.

entra o cheiro do fumo das nossas memorias queimadas e vem mostrar-nos que o que se passou não foi apenas um pesadelo. entra o cheiro. corrói-se a alma.

e, quando menos espero, ele volta a entrar-me nas narinas e volta a trazer as memorias de um tempo que não desejo por nada voltar a viver.

enquanto me sento na cadeira no café e aprecio a pouca paisagem que o rodeia, lá vem o cheiro.

vem a memoria do cheiro e logo voltam as imagens negras.

volta tudo num instante.

desvanece-se o sorriso.

vai-se a vontade de me alegrar.

e vem a vontade de me afundar na cadeira vermelha do café.

tudo desaparece.

tudo desapareceu.

regressará?

1 comentário:

  1. regressará, sem dúvida.
    resta que descubras sempre a tua força especial que não te faça afundar na cadeira ou esvanecer o sorriso.
    eu posso e estarei algures para te lembrar que essa força existe em ti.

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