4.4.11

desabafo

mãe: queres alguma coisa, kina? eu: não, obrigada...
mas eu quero mãe, eu quero que tudo volte ao normal. eu quero o pai que sempre quis ter e que sempre tive até há alguns anos a trás. o pai que me mima, que me faz sentir especial. o pai que agora me desapareceu... agora, quer dizer, há já algum tempo... o pai que eu ainda não consigo aceitar.

dói-me tanto o vida. dói-me tanto e não pode doer, não pode parecer sequer que dói.

dói por muitas coisas.


no outro dia olhei para ti e achei que devia despromover-te do cargo que tanto me esforcei por manter por ti. passaste por mim na rua e nem como desconhecida me trataste, nem como obstáculo ao teu caminho, nem como lata velha e amassada no chão, nem como nada. passaste por mim, com todas as tuas preocupações, tão distantes de mim, e nem te dignaste a reparar que era eu. e eu parei, no meio da rua, a olhar para ti e a pensar:

mas onde vais tu?

e só me apeteceu perguntar-te enquanto corria a trás de ti:

onde vais tu? eu estou aqui e preciso de ti, Amigo.

mas não, não o fiz. de facto, como muitos me dizem, eu dou demasiada importância as pessoas que não merecem o meu sofrimento.

só para que saibas, preciso de ti. mesmo que tu não possas estar comigo, ao menos um olá, tudo bem? quando passas por mim. ao menos uma mensagem, um mail, algum sinal da tua existência.

tu sabes o que se passou e mesmo assim nem ligas. nem lembras, nem nada.

telefono, não atendes. mando mensagem, não respondes...

desisto.

despromovi-te do cargo tão alto e quase exclusivo em que te tive.

Amigos há poucos, certo?

e eu já despromovi mais um.

2 comentários:

  1. « Hoje, e isto é para ti, Carolina, disse-te que estou com azar. E estou. Estou com um azar inverso à felicidade extrema que vivia e que sempre tomei como delicada, de tão forte ser. No fundo, sabia que esta fase haveria de chegar. Não me quero gabar, mas novamente ultrapassei. Refiz o que tinha de refazer, encontrei um pouco de mim nos pedaços de gente que me rodeiam. E estou tão bem por sentir isso. E disse-te mais. “Estou com azar, menos na escola.” E tu disseste a coisa mais acertada de sempre. Sabes, quando vemos um filme e as personagens vivem uma história fantástica, uma amizade tão forte e parece que as palavras voam entre todo aquele clima, tão bem, tão encaixadas em tudo? Sabes ambicionar essas palavras? Eu sei. E nunca pensei sentir como hoje. Fora de tudo o que possa já ter ouvido e que me tenha alertado, fora de todos os rodeios de uma mãe. Foste tu que disseste “É a escola que te corre bem, o teu futuro.” Obrigada. »

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