5.3.10

de facto, procurava-te por todo o lado. sei que já escrevi isto muitas vezes, mas não consigo deixar de me achar cega quando não vi que estavas aqui, sempre. procurei por cima dos telhados, por entre as sombras, por entre o escuro das noites de lua cheia apagada. procurei-te entre os salpicos do mar de Verão, procurei onde já conhecia e onde só encontrei sofrimento. procurei onde não havia nada. procurei em sítios que me iludiram, em pessoas que me iludiram. procurei em todo o lado. e, quando reparei que estavas mesmo aqui, não queria acreditar. por isso é que levei algum tempo a associar tudo, a digerir o que sentia para não me atirar de cabeça.
tiraste-me de um tormento constante, de uma culpabilização interior que não se reflectia no exterior, de um poço vazio que parecia não ter fim, de uma queda do céu sem pára-quedas, de um frasco gelado, do meio de um conjunto de recordações que eram lembradas indevidamente porque me faziam viver no presente com uma ideia errada de um passado que não quis apagar por não ter um futuro certo, um passado que nem foi tão bom quanto isso mas que me fez acreditar que o futuro podia ser.
obrigada por teres conseguido fazer o que mais ninguém fez. obrigada por me deixares descansar nos teus braços, depois de tanta procura. obrigada, meu amor.

2 comentários:

  1. encontraste, n te preocupes mais, agora sê feliz.
    Obrigada Mário

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  2. foi no dia em que voltaste a ti, quando deixaste de procurar nos telhados, debaixo dos pés, debaixo da Lua, debaixo de tudo, que encontraste. Era porque estavas na tua estrada de volta que encontraste. E ainda bem. Não te voltaste sozinha.
    Excelente texto, como sempre.

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