1.11.11

por vezes, o melhor que se faz é não dizer nada. é reduzirmos-nos à nossa insignificância e acreditar que o facto de abrirmos a nossa boca não vai ajudar em nada, que é o que realmente acontece na maior parte das vezes.
o melhor, é calar as palavras que sabemos certas naquele momento e amarra-las a um dos compartimentos do coração, de preferência ao mais movimentado, para que elas se deteriorem e nós esqueçamos que tivemos, um dia, a necessidade de as dizer travada.
calamos, então, favorecendo a situação dos outros mas nunca a nossa, que ficamos com o peso das palavras que não dissemos. que ficamos forçosamente entregues aos remorsos de não termos dito o que queríamos.
e a vida continua, independentemente das palavras que foram ou não ditas.
e nós, feliz ou infelizmente, continuamos com ela.

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