2.5.11

olho para ti, sentado na cadeira dura, desejando ser dono dela.


olho-te, do sofá meio vazio. o sofá que ressaca da tua presença. o sofá que quer ser teu como eu quero. como já quis.


olho-te de soslaio, combatendo os meus pensamentos que, ora te querem meu, ora não.


olho para ti, sentado desconfortavelmente numa cadeira dura que anseia carregar-te para sempre.


ambos sabemos que isso não acontecerá.


suspensos na cor pesada e no ar frio ficamos, pensando, afinal, o que vimos, um dia, em cada um de nós.


já nem o teu olhar vazio se enche, nem a minha silhueta, que deves ver meia apagada, se acende.

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