à noite, quando me deito depois de todo o cansaço que carreguei ao peito o dia inteiro, penso em ti. penso em ti porque ainda me custa crer no que fizeste.
e dou por mim a pensar: 'e quem me dera que nunca lhe tivesses possuído o corpo, a ela que está sempre tão longe de ti. e quem me dera que essa imagem não me ficasse cravada no crânio de tanto a querer esquecer. e quem me dera que nada disto tivesse acontecido.'
e tu tinhas-me aqui tão perto. tinhas-me sempre aqui.
talvez por isso a tenhas escolhido , a tenhas beijado, a tenhas consumido.
a ela.
especificamente a ela.
e onde fico eu agora?
sim, onde fico eu?
eu que te dava o meu corpo, a minha vida, a minha alma até.
onde fico eu?
eu fico onde tu me deixaste:
fico nos carris vazios da vida.
fico parada, desmaiada, esperando o comboio da morte que não passa.
afinal, estes são mesmo os carris da vida.
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