23.5.11

à noite, quando me deito depois de todo o cansaço que carreguei ao peito o dia inteiro, penso em ti. penso em ti porque ainda me custa crer no que fizeste.

e dou por mim a pensar: 'e quem me dera que nunca lhe tivesses possuído o corpo, a ela que está sempre tão longe de ti. e quem me dera que essa imagem não me ficasse cravada no crânio de tanto a querer esquecer. e quem me dera que nada disto tivesse acontecido.'

e tu tinhas-me aqui tão perto. tinhas-me sempre aqui.

talvez por isso a tenhas escolhido , a tenhas beijado, a tenhas consumido.

a ela.

especificamente a ela.

e onde fico eu agora?

sim, onde fico eu?

eu que te dava o meu corpo, a minha vida, a minha alma até.

onde fico eu?

eu fico onde tu me deixaste:

fico nos carris vazios da vida.

fico parada, desmaiada, esperando o comboio da morte que não passa.

afinal, estes são mesmo os carris da vida.

Sem comentários:

Enviar um comentário