27.2.11

serei cego, então. e serei surdo e mudo também! esquecerei tudo quanto vi, senti e experienciei. esquecerei tudo isso. e cairei morto, frio, firme, perante o teu amor diabólico.
arrefecerei tanto quanto me foi possível e mais um pouco ainda.
gelarei.
e, quando me ajoelhar, involuntariamente, a teus pés para seguir as tuas ordens cheias de um vazio perturbador, aí mesmo eu me quebrarei como a camada fina e congelada de um rio ainda vivo, mas depressa podre.
ajoelhar-me-ei à tua beira como objecto putrefacto que irei ser.
e todo o mundo parará.
no momento em que eu cair e deixar de ser eu, no momento em que eu cair, ajoelhando-me perante todos os teus prazeres.
e já não serei eu, nem outro, nem nada!
já não serei pessoa rica nem escumalha.
serei, e serei sempre, aí sim, o monte de tralha inútil, o monte de tralha podre, o monte de tralha de nada.
serei, apenas, o que sempre quiseste que fosse.
nada.

2 comentários:

  1. Impressionante, como tão frágeis somos capazes de ser. Impressionante o quão necessitados e indispensáveis somos de outros seres, que levam a nossa vida para um mundo de cores vivas e densas. Impressionante, o quão fácil é a capacidade de quebrar, se nos virmos sós, tão longes de quem nos suporta.
    E apesar de o nosso corpo ser fisicamente só nosso, é o nosso corpo interior que faz viver todo o nosso ser. E para esse viver, há sempre alguém que tem de estar presente.

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  2. A maior força vem de dentro! A mais forte de todas. E tu és muito forte :) acredita nisso. Beijo

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