18.1.11

pensar que ainda há pouco estavas aqui. pensar que ainda agora sinto as tuas mãos no meu corpo, os teus lábios nos meus e os nossos cabelos inevitavelmente misturados.
dói de pensar que estiveste aqui. dói pensar que estavas e já não estás.
vem cá.
diz-me na cara que já não queres cá estar. beija-me e diz-me que o teu beijo não foi sincero. volta e diz-me, na cara, que já não és meu, que já não te sirvo.
volta.
volta e diz-me que já não me conheces. que já não me amas.
volta e usa-me já que não te sou nada. volta para me voltares a fazer sentir como merda que nunca deixarei de ser. volta para me dizeres que não vais voltar nunca.
mas, por favor, não tenhas a cobardia de não voltar. não digas que, ao não voltar, estás a ser forte porque ambos sabemos que isso não é verdade. volta para que eu te possa dizer que ainda te amo e para logo a seguir cair nos teus braços de tanta raiva que te tenho.
volta.
vais ouvir tudo aquilo que tenho para te dizer. volta para ouvires toda a merda que dizes que sou. volta para te deixares consumir por mim.
volta, que eu esperarei.
quando voltares, quando eu te disser tudo aquilo que eu tenho aqui para ti, então aí sim, podes ir. se ainda tiveres força para te erguer, como sempre tiveste. ergue-te como merda que nunca te disse que eras. essas coisas não se dizes.
ergue-te que, nessa altura, eu já desapareci.

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