saí de casa. nenhum objectivo certo, apenas andar até me apetecer.
caminhei por caminhos tão cheios de promessas quebradas, tão cheios de sonhos espezinhados.
e fui andando, percebendo que a minha cidade não é bem esta. a minha cidade-casa não é aqui, porque aqui eu ando e nada me prende. eu podia ter andado sem parar e nada me impediria. a minha cidade não esta. andei, observando o chão, como fui habituada a fazer, não olhando à volta porque, se me distraía podia cair. andei. andei quase tanto quanto era preciso para que os pés me doessem. não chegaram a doer, por isso acho - tenho quase a certeza - que não cheguei onde queria. nesta minha cidade, forçosamente minha, as memorias surgem de todos os cantos, quase frescas. e, quando dou conta, já passaram há muito, eu é que ainda as pensava cá. as pessoas que por aqui conheci estão recolhidas nos seus novos mundos, com todo o direito. estão recolhidas nos seus novos mundos que já pouco têm a ver com o meu. mas não são só elas que o fazem, sei disso, não as posso culpar, elas não têm culpa. ninguém tem. cada um cresce à sua maneira e ritmo. mas tenho algum medo que elas não saibam que ainda fazem parte do meu mundo. os minutos do futuro serão sempre as memorias do meu passado. elas tem a sua parte. mas já não estão cá. existem mas não estão, como diz a carol. e dói-me saber que o meu mundo está noutro sitio hoje. e por muito que me digam que é uma fase, por muito que me digam que... sei lá! o que disserem... não me conformo. porque eu quero ser o que era, ser outra, ser melhor do que sou. queria... sei lá. quero tanto coisa que me escapa o que sou. entre idas e vindas sei lá de onde, perco-me em pequenos recantos onde não me importava de ficar perdida para sempre.
hoje preciso de mim, mas eu não estou cá.
pergunto-me se existo.
A maior prova que, pelo menos eu, te posso dar de que, sim, existes, é que de todos os caminhos de quem a culpa não arca sobre todos, eu, que fui pelo meu, ainda sei que estás em mim e que estás no meu caminho como começaste a estar e seguiste, comigo. Para mim, para saber que isso existe, só preciso de uma confirmação. A tua existência. E isso existe, porque tu existes. E tu existes para no meu caminho eu saber que és alguém, que para mim, existes grandiosamente como sempre. :)
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