10.11.10

hoje sonhei que podias desaparecer um dia.
sonhei que tinhas ido, que alguém te tinha levado e que me tinha deixado sem ti. que me tinha deixado a mim e ao teu filho sem ti. procurei por muito sítio, todos os sítios possíveis e impossíveis. onde eu tinha quase a certeza que irias estar e onde eu achava que nunca te encontraria. nada. não te encontrei, nem ao teu olhar, nem ao teu abraço. tinha a nossa vida toda a passar-me à frente, todos os momentos. e tu já não estavas ali, deitado ao meu lado, a dormir que nem um anjo que és. levaram-te e eu sem saber para onde. o mais complicado foi explicar ao nosso filho que te tinham levado e que não sabia onde estavas. ouvi-lo a perguntar-me o que eu não tinha coragem de admitir que me perguntava.
mãe, o pai morreu?
e eu respondia que não, que isso não ia acontecer tão cedo. mas ele insistia.
mãe, fui eu que fiz mal ao pai e por isso é que ele foi embora?
não, não, não. dizia eu. não tens culpa nenhuma. mas ele insistia em dizer que se não te tinham levado pelas asneiras dele, então porque tinha sido? que mal é que ele tinha feito á vida?
e eu perguntava-me o mesmo. o que seria que eu tinha feito de mal para que me tirassem umas das coisas que mais amava? tu não estavas ali. fui à nossa casa na esperança de te ver deitado na nossa cama. nada. não estavas. doeu-me tanto. porque não sabia que pensar. tu já não estavas comigo e, por muito que eu quisesse, não podia ter a certeza que ias voltar. e o nosso filho, que lindo que ele é. vê-lo assim, daquele jeito verdadeiramente amargurado que têm as crianças.
chorei, chorei. chorei pela tua ausência forçada. pela vida que ainda não tínhamos vivido.
acordei.
e vi-te.
amo-te tanto.
nunca me deixes.

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