26.10.10

talvez por me sentir tão cheia de ti já não tenha que escrever.
as palavras já não saem porque, agora que olho para trás, as palavras eram apenas uma forma de mandar as lágrimas para fora sem humedecer os olhos e a cara.
há uns tempos, talvez já longos, dependendo do que cada um considera longo, eu chorava por dentro durante todos os minutos que notava passarem por mim. e tu vieste mudar isso. vieste encontrar-me no canto escuro do meu sofrimento que eu própria criava, apenas por ser como era e por pensar nas coisas como pensava. vieste, viste-me, deste-me a mão para me levantares do chão. puseste-me a admirar um céu azul que eu pensava já não existir. ergueste-me a cabeça, limpaste as lágrimas à minha alma e fizeste-me subir ao céu. fizeste-me mergulhar naquele azul tão intenso e calmo que eu já não achava possível. vieste e limpaste-me o que tinha sujo, mesmo sem te aperceberes do que fazias. acendeste um fosforo dentro da minha cabeça e depressa a sua pequena luz iluminou também o meu coração. e depressa me tornei tua, mesmo se tu não quisesses. porque foste tu que me obrigaste a deixar de olhar o chão, foste tu que, com o todo o teu jeito, me fizeste acreditar mais em mim. foste tu que me fizeste o que sou agora, mesmo que digas que só mudei porque quis. eu quis por ti, porque vale a pena mudar por ti. foste, e ainda és, o anjo que me tirou do canto escuro e que não me deixa lá voltar, mesmo quando apetece.
por isso é que sinto que não te dou nada, porque tu me dás tanto às vezes ajo como se não bastasse. perdoa-me por isso.
como disse um dia Raul Solnado:
'há dois tipos de discurso: curto e comprido. o curto é: obrigado. o comprido é: muito obrigado.'
aplico-te o mesmo porque não sei que mais posso dizer a não ser: muito obrigado

1 comentário:

  1. (...) Paixão ardente (...),/ Vulcão que vai crescendo hora por hora.../ O meu amor, que imenso amor o meu!
    Florbela Espanca.

    :)

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