querem roubar-te de mim, Verão, que tanto me és desde que me lembro. querem roubar-me o cheiro a são joão da Costa, querem roubar-me os por-do-sol que sempre via e que sempre lembro. querem roubar-me os teus salpicos do mar e o barulho das tuas ondas. querem roubar-te de mim, Verão, como se lhes pertencesses. querem apagar de mim todas as marcas que me deixas, querem que já não haja magia à noite, que já não haja praia por todos os lados e sol e vento e areia e mar e céu. já não te querem em mim, como se tu fosses dispensável, como se tu não valesses nada para ninguém. mas, para mim, vales. e vales muito, Verão dono do Sol, rei dos meus dias. vales tanto que quase ninguém faz ideia. o Verão que me ajuda a pensar, que me purifica. querem roubar-te de mim, a ti, que quase te sinto como um Pai.
Verão, vais deixar?
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