27.6.10

daniela



ultimamente tens-me andado um pouco atravessada no meu pensamento, e acho que é por isso que ando assim tão afastada de todos os que fazem parte da minha vida agora.
olha como mudámos. olha para nós aqui, olha para o que nós éramos e para o que nós prometemos não mudar nunca. e olha para nós agora.
ainda tenho atravessada em mim a separação que só a mim me custou e que para ti foi, segundo me pareceu, indiferente.
olha para as fotografias e penso no presente.
olha para ti agora, tão diferente do que eras.
ainda ma custa a crer que deixei que se pusessem no nosso caminho.
e agora, que penso no facto de ires repetir um ano. agora, que penso que te 'ultrapassei' de alguma forma e que 'perdeste' um ano da tua vida. agora, que penso no que regrediste na tua vida por coisas fúteis que pensava que não te importavam. agora eu tenho pena. tenho pena que te tenhas perdido por pessoas que não têm valor nenhum.
sei que posso soar convencida, sei que posso soar mal ao dizer que te faço falta, que te fiz falta quando fui para aveiro e que tu não tiveste força para por o teu orgulho de lado para me poderes dizer isso. sei que posso soar mal quando digo que te tornaste noutra pessoa, nessa pessoa que te comanda. que te tornaste naquilo que tanto criticavas. sei que posso soar muito mal mesmo quando digo que quero que isso se foda. que quero que se foda o facto de estares assim.
eu quero que cresças, só isso. cresce, daniela, cresce.
agora que vais mudar de escola e que vais ter que te integrar num grupo que já está formado sem que ninguém te apoie. agora é que é altura de crescer, visto que não o fizeste antes.
e se as pessoas acham que eu já não sou tua amiga, é porque não sabem o que é isso. porque, como eu aprendi e como eu sempre digo: amigo não é aquele que, quando está mal, diz que está bem. não é aquele que diz que tu é que tens sempre razão. não é aquele que te diz que a tua mãe exagerou na reacção. não é aquele que só chora contigo. não é aquele que aceita um 'não se passa nada' como resposta quando sabe que se passa alguma coisa. não é aquele que te dá umas palmadinhas no ombro. amigo, é aquele que te diz que está mal, quando está mal, e que diz que está bem quando está mesmo bem. amigo, é aquele que confronta duas partes e que pondera e conversa contigo. amigo, é aquele que chora contigo e por ti, mas também ri e faz sentir bem. amigo, é aquele que não descansa enquanto não te arranca tudo de mau que trazes contigo, é aquele que te abraça sem ser preciso pedires. amigo, é quem está lá mesmo parecendo não estar. e, se as pessoas acham que eu não já sou tua amiga só porque não falo contigo, enganam-se. assim como tu também deves estar enganada. se há coisa que eu quero, é que tu sejas feliz e que tenhas pessoas à tua volta que se preocupem contigo e que gostem de ti simplesmente por seres o que és, como és.
já vão quase dois anos que tirámos esta foto, lembraste do dia? dois anos que passaram.
já vão mais de 5 meses que não falamos, quer dizer, que eu não te digo nada, porque sem falar já estamos para aí à um ano. 5 meses e eu continuo a pensar em ti, continuas a doer-me cá dentro. será que isto é justo? será que para ti desapareci, que não te faço falta nenhuma? e dói-me tanto ter estas perguntas cá dentro. e vai doer-me mais quando tiver a certeza dessas respostas que já se fazem tão evidentes. é claro que é justo, até parece que nunca ouvi dizer que cada um tem aquilo que merece. é claro que não te faço falta, é claro que não te afecto se passo por ti na rua sem te dizer nada. é claro que, para ti, já não existo, que já desapareci. caso contrário, tu tentavas alguma coisa. caso contrário, não te fechavas no quarto de cada vez que vou a tua casa.
não te disse nada ainda. não te mostrei nada comparado ao mal que me faz ver-te tão desfigurada. mas eu tentei.
eu tentei dizer.

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