11.4.10

e eu esperei por ti, no silêncio ensurdecedor daquela paisagem que se abatia por baixo de mim. eu esperei por quem não prometeu vir, numa tarde fria. olhei mais uma vez para o vazio. o vazio que era a falta de quem não estava. tentei lembrar tudo na minha cabeça, mas não havia nada para lembrar realmente. nada do que se passara passara realmente. tudo fora minha imaginação, no fim de contas. ouvi o silêncio mais uma vez. o pesado silêncio que a paisagem fazia, o barulho que não suportava mais ouvir, aquele silêncio.
esperei.
como observei o sol e a sombra, cada dia do tempo em que tu estavas ainda para vir. como vi o ciclo repetir-se dia a dia. como fiquei sentada ali, naquele lugar que já se fartava da minha espera por ti. e observei mais uma vez a paisagem, com os olhos abertos. depois fechei-os, continuei a vê-la. estava já tão habituada. ouvi o silêncio pesaroso mais uma vez. vez essa que desejei ser a última. tapei os ouvidos, baixei a cabeça.
deixei-me cair, sem ver a queda.
quando vieres, já será tarde.
adeus.

3 comentários:

  1. pediste-me que te dissesse o que acho? acho desadequado, ou incompleto como queiras designar, penso que lhe falta a continuação, ou mudança de ritmo, :)

    estás num bom caminho.

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  2. discordo vivamente com aquilo o joel "farinha", a meu ver está muito mais visual do que um texto inteiro se tratasse. muito mais, um ponto final aberto. não se trata de um desadequação mas sim um paralelismo, uma espécie de excerto, um trecho!, de algo sempre em aberto, tal como a nossa imaginação. gostei mesmo muito da escrita.
    maior beijo.

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  3. Um paralelismo em que, de maneira alguma, estará num certo fim.
    De algo sempre em aberto, como referiu o André.
    De um Mar sempre distante, ou até um pouco mais perto do que o distante te deixa ver..

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